Saúde das aves

Megabacteriose, um fungo perigoso e oportunista

A Megabacteriose é assim chamada pois, por mais de duas décadas, estudiosos descreveram o agente da doença como sendo uma bactéria de grandes proporções.

Apesar do nome, é uma doença causada por um fungo chamado Macrorhabdus ornithogaster – habitualmente encontrado na flora normal do estômago das aves (pro-ventrículo). Esse fungo é um agente patogênico oportunista, o que significa que ele se aproveita da fragilidade do sistema imunológico para se desenvolver.

Vemos a característica de oportunismo do fungo quando a infecção acontece em associação com outras doenças, agravando as taxas de mortalidade nos plantéis.

É uma doença que possui alta taxa de portadores em relação à população total de pássaros. Acomete diversas espécies de aves como periquitos, canários, emas, avestruzes, tucanos, pombas, galinhas e perus.

Situações que causem o rompimento do equilíbrio hospedeiro-fungo podem favorecer a instalação da doença. São elas: muda de penas, produção de ovos, mudanças climáticas e/ou ambientais e condições sanitárias inadequadas.

A causa principal de transmissão da megabacteriose são as aves portadoras assintomáticas que contaminam o ambiente através da expulsão do fungo em suas fezes. Outro modo de transmissão é a alimentação dos filhotes através da regurgitação.

O curso da doença é normalmente crônico sintomático ou assintomático, com períodos intervalados de recuperação e recaída. Segundo alguns estudos publicados, cerca de um 30% de periquitos saudáveis poderia apresentar esse fungo no estômago, sem quaisquer sintomas óbvios (portadores assintomáticos).

O conjunto dos sintomas apresentados pelos pássaros portadores de megabactéria também são conhecidos como “Síndrome de Light Going”. Os mais frequentes incluem diarreia (fezes verde-escuras, marrom-escuras e pretas), vômitos (que causam uma sujeira visível no bico), perda de peso, sangue nas fezes e/ou ao redor do bico, penas arrepiadas, letargia, anorexia, fraqueza e queda da produção de ovos. Na forma mais grave da doença, a ave pode morrer em poucos dias. Caso a doença torne-se crônica, a ave emagrece progressivamente e fica cada vez mais debilitada.

A megabacteriose podem devastar uma população inteira de aves devido à sua alta taxa de transmissão e infecção e à alta taxa de pássaros portadores assintomáticos.

Essa falta de sintomas é o principal obstáculo no diagnóstico da doença. O diagnóstico da infecção é baseado no histórico da ave/plantel, na anamnese e sinais clínicos do animal e em exames laboratoriais.

Normalmente, quando os sintomas são percebidos já pode ser tarde para um tratamento eficiente. Quando ele é possível, demonstra-se bastante satisfatório.

A manutenção cuidadosa da saúde do plantel, a quarentena dos animais infectados e/ou suspeitos e o controle de fatores geradores de estresse (temperatura, mudança de ambiente, excesso de reprodução) são alguns dos elementos-chave para a prevenção da doença.

A falta de sintomas e as taxas altas de presença da doença e mortalidade causada reforçam a melhor conduta com seu pássaro: procurar um médico veterinário de confiança e conversar sobre opções de prevenção para a megabacteriose.

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